Moradora relata que curto-circuito em ventilador teria iniciado as chamas durante a madrugada; prédio precisou ser evacuado e ocorrência reforça importância da prevenção e dos protocolos de emergência nos condomínios.
Um incêndio destruiu um apartamento localizado no quinto andar de um edifício no bairro de Candeias, em Jaboatão dos Guararapes, na Região Metropolitana do Recife. O caso aconteceu durante a madrugada de quinta-feira, 10 de setembro, e mobilizou quatro viaturas do Corpo de Bombeiros.
Apesar da proporção das chamas, não houve registro de feridos.
MORADORA ACORDOU COM CHEIRO DE FUMAÇA
O incêndio começou por volta das 3 horas da madrugada.
Segundo o relato da moradora, que estava no apartamento com os dois filhos, a suspeita é de que as chamas tenham começado após um curto-circuito em um ventilador.
Ela acordou ao perceber o cheiro de fumaça, retirou as crianças do imóvel e começou a bater nas portas dos apartamentos vizinhos para alertar os demais moradores.
Antes da chegada dos bombeiros, vizinhos ainda tentaram conter o fogo utilizando extintores disponíveis no edifício.
O caso mostra como um problema aparentemente restrito a uma única unidade pode, em poucos minutos, transformar-se em uma emergência envolvendo dezenas de pessoas.
ANDARES SUPERIORES PRECISARAM SER EVACUADOS
Quatro viaturas do Corpo de Bombeiros foram enviadas ao endereço.
Durante a ocorrência, as equipes combateram as chamas e determinaram a evacuação dos moradores dos andares superiores como medida de segurança.
Os outros apartamentos não foram atingidos diretamente pelo fogo, segundo informações divulgadas após o atendimento.
O fornecimento de gás do edifício também foi interrompido durante a ocorrência.
A fumaça foi outro fator de preocupação. Relatos publicados sobre o episódio apontam que ela se espalhou pelo prédio, exigindo a saída de moradores.
O PROBLEMA PODE COMEÇAR DENTRO DO APARTAMENTO, MAS A EMERGÊNCIA É DO CONDOMÍNIO
Esse é um ponto que merece atenção dos síndicos.
Grande parte dos riscos elétricos existentes dentro das unidades não está diretamente sob o controle cotidiano da administração. Ventiladores, carregadores, extensões, eletrodomésticos, tomadas e instalações internas pertencem à rotina particular dos moradores.
Mas, quando ocorre um incêndio, as consequências deixam rapidamente de ser individuais.
Corredores, escadas, sistema de gás, iluminação de emergência, sinalização, extintores, hidrantes, portas corta-fogo, alarmes e rotas de fuga passam a ser fundamentais para proteger todo o edifício.
Por isso, segurança contra incêndio não pode ser tratada apenas quando surge uma vistoria, uma renovação documental ou uma ocorrência.
O incêndio pode começar dentro de um apartamento. A preparação para enfrentá-lo precisa existir em todo o condomínio.
UM VENTILADOR PODE REALMENTE INICIAR UM INCÊNDIO?
No caso de Jaboatão dos Guararapes, a origem em um curto-circuito no ventilador foi relatada pela moradora. A informação, portanto, deve ser tratada como causa apontada inicialmente, e não como conclusão pericial definitiva.
Equipamentos elétricos, tomadas, extensões ou instalações em condições inadequadas podem representar risco.
O Corpo de Bombeiros de São Paulo orienta, entre outras medidas preventivas, a evitar que vários aparelhos sejam ligados à mesma tomada para reduzir o risco de sobrecarga e curto-circuito.
Para os moradores, alguns sinais não devem ser ignorados:
- tomadas aquecendo;
- cheiro de queimado;
- plugues escurecidos;
- fios ressecados ou danificados;
- extensões sobrecarregadas;
- aparelhos apresentando falhas ou aquecimento anormal;
- disjuntores desarmando repetidamente.
Persistindo qualquer anormalidade, o correto é interromper o uso do equipamento e procurar avaliação profissional adequada.
O QUE O SÍNDICO PRECISA VER ANTES DA EMERGÊNCIA?
O caso também funciona como um alerta para a administração condominial.
Não basta possuir um extintor preso à parede.
É necessário saber se os sistemas estão funcionando quando forem realmente necessários.
Entre os pontos que precisam fazer parte da rotina preventiva estão:
Extintores: verificar validade, acesso, sinalização e conservação.
Rotas de fuga: corredores, acessos e escadas não podem estar obstruídos.
Portas corta-fogo: precisam permanecer em condições adequadas de funcionamento.
Iluminação de emergência: deve funcionar mesmo durante interrupção no fornecimento de energia.
Sinalização: moradores e visitantes precisam conseguir localizar as saídas de emergência.
Alarmes, hidrantes e demais sistemas: devem receber as verificações e manutenções previstas para a edificação.
Brigada e orientação: funcionários e moradores precisam conhecer minimamente o procedimento adotado pelo condomínio em uma emergência.
O Corpo de Bombeiros de São Paulo ressalta que equipamentos de segurança contra incêndio devem permanecer visíveis e desobstruídos e orienta que, diante de um incêndio que já ultrapassou a fase inicial, os ocupantes abandonem a edificação pelas escadas de segurança, sem utilizar elevadores.
EM INCÊNDIO, IMPROVISO PODE CUSTAR TEMPO PRECIOSO
Outro aprendizado importante está na resposta à emergência.
Em situações de incêndio, moradores não devem correr riscos desnecessários tentando combater chamas que já se espalharam.
A orientação do Corpo de Bombeiros é que somente um princípio de incêndio seja combatido por quem saiba utilizar corretamente o extintor. Quando o fogo já não está em estágio inicial, a prioridade deve ser abandonar a edificação em segurança e acionar o Corpo de Bombeiros pelo telefone 193.
Cada minuto importa.
Ter um procedimento previamente conhecido pode fazer diferença entre uma evacuação organizada e moradores tentando descobrir o que fazer enquanto fumaça e fogo avançam pelo prédio.
SEGURANÇA NÃO COMEÇA QUANDO O FOGO APARECE
A ocorrência de Jaboatão terminou sem vítimas, mas deixou um apartamento destruído e obrigou moradores a deixarem suas casas durante a madrugada.
Para síndicos, conselheiros e moradores, o episódio deixa uma pergunta importante:
Se um incêndio começasse hoje em um apartamento do seu condomínio, todos saberiam exatamente o que fazer?
Essa resposta não pode ser construída durante a emergência.
Extintores operantes, rotas livres, portas corta-fogo adequadas, manutenção, orientação aos moradores e procedimentos claros fazem parte de uma gestão que trabalha antes do problema.
Condomínio bem gerido não espera o incêndio para descobrir se está preparado.











