Criminosos utilizaram uma suposta entrega para conseguir acesso a prédio residencial no litoral paulista. Caso acende alerta sobre falhas de segurança, identificação de visitantes e protocolos de portaria.
Uma situação aparentemente comum na rotina de um condomínio terminou em assalto na cidade de Santos, no litoral de São Paulo. Dois criminosos armados se passaram por entregadores para conseguir acesso a um edifício residencial e roubar pertences de moradores.
O crime aconteceu na manhã de sexta-feira, 16 de outubro de 2026, em um prédio localizado na Rua Duque de Caxias, no bairro Campo Grande.
Segundo informações divulgadas pela Polícia Militar, os suspeitos utilizaram o pretexto de realizar uma entrega para entrar no condomínio. Depois de conseguirem acesso ao edifício, anunciaram o assalto.
Durante a ação, foram roubados três aparelhos celulares, uma aliança de ouro e um relógio de pulso.
Os criminosos fugiram após o roubo. A Polícia Militar foi acionada e realizou buscas na região, mas não conseguiu localizar os suspeitos durante o atendimento da ocorrência.
O episódio chama a atenção para um problema que preocupa síndicos, administradoras e moradores: a utilização de situações rotineiras, como entregas de encomendas, para tentar superar os controles de segurança de edifícios residenciais.
COMO OS CRIMINOSOS CONSEGUIRAM ENTRAR NO CONDOMÍNIO?
De acordo com as informações policiais divulgadas pela imprensa, os dois homens se apresentaram como entregadores e conseguiram acesso ao prédio sob a justificativa de que realizariam uma entrega.
Uma reportagem exibida pelo programa Balanço Geral mostrou uma abordagem na qual criminosos chegaram carregando uma caixa, utilizando a aparência de uma entrega comum para convencer o funcionário da portaria a permitir a entrada.
A dinâmica evidencia como criminosos podem explorar procedimentos cotidianos para tentar entrar em áreas que deveriam ter acesso controlado.
Entretanto, os relatos públicos não permitem concluir, por si só, que o condomínio descumpriu alguma norma específica ou que houve participação de funcionários no crime.
Essas circunstâncias dependem da apuração realizada pelas autoridades.
MORADORES PERDERAM CELULARES, JOIA E RELÓGIO
Depois que conseguiram entrar no edifício, os criminosos anunciaram o assalto e subtraíram os pertences das vítimas.
Conforme a Polícia Militar, foram levados:
- Três aparelhos celulares;
- Uma aliança de ouro;
- Um relógio de pulso.
Após a fuga, policiais realizaram buscas na região, mas os envolvidos não foram encontrados naquele momento.
As vítimas receberam orientações sobre as providências necessárias junto à Polícia Civil.
Até as informações publicadas inicialmente pelos veículos que noticiaram o caso, a Polícia Militar não havia obtido imagens da ação que pudessem auxiliar na identificação dos autores.
FALSA ENTREGA EXPÕE UM RISCO PRESENTE NA ROTINA DOS CONDOMÍNIOS
O aumento do volume de entregas de compras pela internet, aplicativos e serviços de delivery transformou a rotina das portarias residenciais.
Em muitos condomínios, entregadores chegam ao longo de todo o dia, transportando refeições, documentos, medicamentos e encomendas.
Essa movimentação exige procedimentos claros para que a identificação de visitantes e o recebimento de mercadorias não comprometam a segurança dos moradores.
Uma caixa nas mãos, uma mochila de entregas ou uma informação sobre o destinatário não comprovam, isoladamente, que a pessoa esteja autorizada a entrar.
O caso de Santos demonstra como uma situação aparentemente simples pode se transformar em uma ocorrência grave quando criminosos conseguem ultrapassar as barreiras de acesso.
O QUE OS SÍNDICOS PODEM FAZER PARA EVITAR ESSE TIPO DE INVASÃO?
A prevenção de crimes envolvendo falsas entregas exige uma combinação de procedimentos, treinamento e infraestrutura compatível com as características de cada condomínio.
Entre as medidas que merecem atenção estão:
1. Confirmar a entrega antes de autorizar o acesso
A portaria deve verificar com o morador, por meio de um canal previamente cadastrado, se existe uma entrega esperada.
Informações fornecidas apenas pelo visitante não devem substituir a confirmação do destinatário.
2. Estabelecer locais específicos para recebimento de encomendas
Sempre que possível, o condomínio deve organizar o recebimento de mercadorias em local controlado, evitando que entregadores circulem livremente pelas áreas internas.
3. Treinar funcionários da portaria
Porteiros, controladores de acesso e profissionais que realizam coberturas de turno precisam conhecer os procedimentos para identificação, autorização de entrada e comunicação de ocorrências suspeitas.
A equipe também deve receber orientação sobre como agir em situações de ameaça, priorizando sempre a preservação da vida.
4. Revisar o funcionamento de portões e sistemas de acesso
Portões, interfones, câmeras, controles eletrônicos e demais dispositivos de segurança devem passar por verificações periódicas.
Condomínios que possuem clausura precisam estabelecer procedimentos que evitem a abertura simultânea de acessos quando isso comprometer a segurança.
5. Orientar os moradores sobre as regras
A segurança da portaria também depende da colaboração dos residentes.
Autorizar a entrada de desconhecidos sem confirmação, compartilhar informações sobre a rotina do prédio ou pressionar funcionários para descumprir procedimentos pode aumentar a exposição a riscos.
QUAL É A RESPONSABILIDADE DO SÍNDICO PELA SEGURANÇA DO CONDOMÍNIO?
O artigo 1.348 do Código Civil estabelece, entre as atribuições do síndico, diligenciar a conservação e a guarda das partes comuns e zelar pela prestação dos serviços de interesse dos possuidores.
Na prática, isso envolve acompanhar contratos, organizar procedimentos relacionados às áreas comuns e adotar medidas preventivas compatíveis com a realidade do condomínio.
Entretanto, a ocorrência de um assalto não significa, automaticamente, que o síndico ou o condomínio seja juridicamente responsável pelos prejuízos.
Eventual responsabilização depende de fatores como as obrigações assumidas, a existência de falhas comprovadas e as circunstâncias específicas do crime.
Por isso, a gestão deve buscar uma atuação preventiva, documentar procedimentos e acompanhar a execução dos serviços contratados.
EM CASO DE ASSALTO, A PRIORIDADE DEVE SER PRESERVAR VIDAS
Quando criminosos armados conseguem entrar em um condomínio, a segurança das pessoas deve prevalecer sobre a proteção de objetos ou equipamentos.
Funcionários e moradores não devem tentar enfrentar assaltantes ou realizar ações que aumentem o risco de violência.
Após a ocorrência, quando houver condições seguras, é importante acionar a Polícia Militar pelo telefone 190, preservar registros disponíveis e colaborar com a investigação.
A administração também deve avaliar a necessidade de revisar os procedimentos de acesso, respeitando a privacidade das vítimas e evitando divulgar informações que possam comprometer a apuração policial.
O ALERTA PARA OS CONDOMÍNIOS DE CAMPINAS E REGIÃO
Embora o crime tenha acontecido em Santos, a situação merece atenção de síndicos e administradoras de Campinas, Americana, Santa Bárbara d’Oeste, Hortolândia, Sumaré e demais cidades da região.
Condomínios de diferentes portes convivem diariamente com entregadores, visitantes e prestadores de serviços.
Independentemente do tamanho da edificação, o controle de acesso precisa ser organizado, conhecido pelos funcionários e respeitado pelos moradores.
Investir em equipamentos pode contribuir para a segurança, mas a tecnologia, sozinha, não substitui procedimentos bem definidos.
A prevenção exige comunicação, treinamento e acompanhamento contínuo.
SEGURANÇA CONDOMINIAL NÃO PODE DEPENDER DE APARÊNCIAS
O assalto registrado em Santos reforça uma lição importante para a administração de condomínios: a aparência de uma situação cotidiana não elimina a necessidade de verificação.
Criminosos conseguiram utilizar a justificativa de uma entrega para entrar em um prédio residencial e roubar moradores.
O episódio mostra por que o recebimento de encomendas deve fazer parte do planejamento de segurança condominial.
Mais do que instalar câmeras ou reforçar portões, é necessário estabelecer regras claras, orientar funcionários e garantir que todos compreendam a importância dos procedimentos.
Quando falta controle de acesso, a rotina pode se transformar em uma oportunidade para criminosos.
Condomínio bem gerido não depende de sorte. Depende de preparo, critério e liderança.










