Período de estiagem aumenta risco de incêndios na região; síndicos precisam revisar prevenção, equipamentos e procedimentos antes da emergência
Incêndio perto do condomínio: o que o síndico deve fazer?
Estiagem aumenta o risco de incêndios em Americana, Campinas e região. Veja o que síndicos devem revisar para proteger moradores e condomínios.
O terreno ao lado está seco.
A vegetação próxima ao muro aumentou.
Começa uma fumaça a algumas quadras.
Em poucos minutos, o que parecia um incêndio distante pode se transformar em uma situação que exige resposta rápida do condomínio.
E é justamente nesse momento que aparece a pergunta:
o condomínio tem um plano ou vai decidir o que fazer durante a emergência?
O assunto merece atenção especial neste período.
A Prefeitura de Americana alertou, em julho, que julho e agosto estão entre os meses mais secos do ano em grande parte do Estado de São Paulo. A combinação de baixa umidade, pouca chuva e vegetação ressecada aumenta o risco de incêndios.
Em Campinas, a Defesa Civil também emitiu alerta para baixa umidade e aumento do risco de incêndios em vegetação durante o período de estiagem.
Para condomínios, principalmente aqueles próximos a terrenos, áreas verdes, matas ou grandes espaços de vegetação, o cenário exige mais do que preocupação.
Exige prevenção.
O incêndio não precisa começar dentro do condomínio
Quando se fala em prevenção contra incêndio em prédios e condomínios, muita gente pensa imediatamente em curto-circuito, botijão de gás, cozinha ou garagem.
Mas existe outro risco importante: o fogo que começa fora.
Um incêndio em vegetação próxima pode produzir fumaça intensa, calor e comprometer acessos e a circulação de pessoas.
Por isso, a análise preventiva não deve terminar no portão.
O síndico precisa observar também o entorno do empreendimento e identificar antecipadamente situações que possam dificultar a resposta a uma emergência.
A pergunta não deve ser apenas:
“Temos extintores?”
Deve ser:
“Se tivermos uma ocorrência real, nosso sistema funciona e as pessoas sabem o que fazer?”
AVCB na parede não substitui prevenção
No Estado de São Paulo, o regulamento de segurança contra incêndios atualmente está estabelecido pelo Decreto Estadual nº 69.118/2024.
O regulamento define o AVCB — Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros — como o documento emitido pelo Corpo de Bombeiros certificando que, no momento da vistoria, a edificação ou área de risco atende às exigências de segurança contra incêndio aplicáveis.
Mas possuir documentação não significa que a administração possa deixar a prevenção no automático.
O mesmo regulamento contempla medidas como gerenciamento do risco de incêndio, plano de emergência, brigada de incêndio, iluminação e sinalização de emergência, extintores, hidrantes e outros sistemas, conforme as características e exigências aplicáveis a cada edificação.
Ou seja:
prevenção não é ter um papel arquivado. É manter um sistema funcionando.
O que o síndico precisa revisar antes de uma emergência?
Não existe uma lista única aplicável da mesma forma a todos os condomínios, porque as exigências técnicas dependem das características da edificação e do projeto aprovado.
Mas existem perguntas que toda gestão deveria fazer.
1. A documentação de segurança contra incêndio está regular?
O condomínio precisa saber quais licenças e documentos são aplicáveis à sua edificação e acompanhar seus respectivos prazos e condições.
Descobrir um problema documental durante uma emergência é tarde demais.
- Os equipamentos estão realmente operacionais?
Extintor pendurado na parede não significa extintor pronto para utilização.
O mesmo raciocínio vale para hidrantes, iluminação de emergência, alarmes, sinalização e demais sistemas previstos para a edificação.
O regulamento paulista classifica como irregularidades situações envolvendo sistemas de extintores, hidrantes, alarmes, iluminação e outros equipamentos deficientes ou inoperantes.
- As rotas de saída estão desobstruídas?
Corredores, acessos e saídas de emergência não podem se transformar em depósitos improvisados.
Em uma situação de fumaça, cada segundo de hesitação faz diferença.
- Existe procedimento conhecido pelos responsáveis?
Quem aciona o Corpo de Bombeiros?
Quem orienta moradores?
Quem verifica acessos?
Quem possui os contatos de emergência?
Quem conhece os sistemas do prédio?
Essas respostas precisam existir antes do fogo.
5. O condomínio possui brigada quando exigida?
A brigada de incêndio aparece entre as medidas de segurança previstas no regulamento estadual, conforme a classificação e as exigências aplicáveis à edificação.
Treinamento não serve apenas para cumprir uma obrigação.
Serve para diminuir improvisação quando as pessoas estão sob pressão.
- Como está o entorno do condomínio?
Durante períodos secos, terrenos com vegetação ressecada e acúmulo irregular de materiais merecem atenção.
Em Americana, a própria campanha municipal de julho chamou atenção para o fato de que vegetação seca, baixa umidade e escassez de chuvas favorecem incêndios durante julho e agosto.
Se o condomínio identifica uma situação problemática fora de seus limites, a administração deve avaliar quais providências são cabíveis e quais órgãos ou responsáveis precisam ser acionados.
“Tem AVCB” não pode ser a única resposta do síndico
Imagine a seguinte situação:
São três horas da tarde.
Um morador avisa no grupo que existe muita fumaça atrás do condomínio.
Outro morador desce para olhar.
A portaria começa a receber ligações.
Ninguém sabe se deve sair ou permanecer dentro dos apartamentos.
Alguém pergunta onde estão os hidrantes.
Outro pergunta quem possui treinamento.
E o síndico começa a procurar o telefone da empresa responsável pelos equipamentos.
Esse é exatamente o tipo de situação que uma gestão preventiva tenta evitar.
A emergência não é hora de montar o protocolo. É hora de executar aquilo que já foi planejado.
Quem é responsável pela prevenção?
Segurança contra incêndio envolve responsabilidades técnicas e administrativas que variam conforme a edificação e a situação concreta.
Por isso, síndico não deve improvisar solução técnica.
A função da gestão é garantir que as exigências aplicáveis sejam acompanhadas, contratar profissionais e empresas habilitados quando necessário, manter documentação organizada, fiscalizar contratos e cobrar a execução das manutenções previstas.
O regulamento paulista tem como objetivos prioritários proteger vidas, prevenir o surgimento e dificultar a propagação de incêndios e proporcionar meios para controle e resposta às emergências.
É exatamente aí que entra a gestão profissional.
O erro geralmente acontece antes do incêndio
Equipamento sem manutenção.
Documento vencido.
Rota obstruída.
Prestador que ninguém fiscalizou.
Vegetação no entorno ignorada.
Equipe sem saber quem deve fazer o quê.
Individualmente, cada uma dessas situações pode parecer pequena.
Até o dia em que alguma coisa acontece.
Por isso, a principal pergunta deste período de estiagem não deveria ser:
“Será que vai acontecer alguma coisa?”
Deveria ser:
“Se acontecer, estamos preparados?”
Condomínio bem gerido não espera a fumaça aparecer
Americana, Campinas e outras cidades da região atravessam um período em que as próprias autoridades estão reforçando os cuidados relacionados à baixa umidade e aos incêndios em vegetação.
Isso cria uma oportunidade importante para síndicos e conselhos revisarem procedimentos agora.
Antes do chamado de emergência.
Antes da fumaça.
Antes da correria.
Porque prevenção custa planejamento.
Improvisação pode custar muito mais.
Portal Imersão Condominial
Informação para síndicos, moradores, conselheiros e profissionais que querem antecipar problemas antes que eles virem prejuízo.










